Música, arte e moda
Gaga inovou porque mistura em seus shows arte, moda, dança moderna e referências musicais. E isso desde os tempos em que fazia shows non-stop (que rolam 24 horas sem parar, em teatros decadentes de Nova York) junto com um grupo de amigos conhecido como House of Gaga, formado por estilistas, desenhistas de moda, produtores, e sua coreógrafa, Laurie Ann Gibson. O resultado são performances com toda força visual (e loucura fashion) que se possa imaginar. Entre suas aparições mais escandalosas está a apresentação no último MTV Vídeo Music Awards. Ela ganhou como artista revelação e, durante seu número, usou um top que explodia sangue fake. Os clipes não ficam atrás. Em Paparazzi, ela levanta de uma cadeira de rodas para andar depois de se livrar de sua cinta liga e, em Bad Romance, fuma ao lado de um esqueleto numa cama incendiada. Isso sem mencionar seus penteados exóticos (o cabelo loiro-platinado já virou um elefante marrom, um megalaço, um chifre de unicórnio dourado), e seus figurinos, idem (ela já desfilou com uma cauda de urso polar, um colã vermelho com botas de vinil preto, um vestido de bolhas de plástico, um bustiê em forma de cone, brilhante e assim por diante). A cereja do bolo é sua brincadeira frequente com os gêneros sexuais. Abusando da maquiagem e dos acessórios, ela entra com tudo no universo dos travestis e drag-queens.
É essa qualidade metade showbiz e metade arte que a aproxima do mundo da moda. O clipe de Bad Romance tem design de Alexander McQueen. Miuccia Prada fez seu vestido para uma performance no Museu de Arte Contemporânea em Los Angeles. O artista plástico Damien Hist desenhou seu piano. “Amo Dolce&Gabbana e Versace. Adoro roupas loucas, excêntricas. Eu posso não ter dinheiro para pagar o aluguel, mas tenho que estar f... glamourous!”, diz a cantora, com sua fala pontuada de palavrões. Todo esse agito fez com que Gaga virasse um mito instantâneo, mas é óbvio que não surgiu do nada nem nasceu pronta.
Para entender Lady Gaga, é preciso saber que ela cresceu em Manhattan. Crianças que vivem nessa ilha de 20 km de comprimento, repleta de arranha-céus e povoada por 1,6 milhão de pessoas, são no mínimo diferentes. Não é fácil desenvolver personalidade própria nesse cânion de aço e concreto, onde um verdadeiro rolo compressor massifica neuroses, ambições, cultura e informação de moda. Em resumo: uma verdadeira fábrica de loucos.
domingo, 8 de agosto de 2010
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