domingo, 8 de agosto de 2010

Trajetória de sucesso

Quando marquei a entrevista, Lady Gaga queria me encontrar em um restaurante no Upper West Side para mostrar o bairro onde morou com os pais, descendentes de italianos, e a irmã, seis anos mais nova, e onde estudou na escola do Convento Sagrado Coração. Ela chegou a bordo de um poderoso SUV Cadillac Escalade usando uma roupa completamente errada para o lugar e a ocasião: capa masculina Yves Saint Laurent vintage, um traje de Thierry Mugler, um casaco preto dos anos 1990 jogado nos ombros e sapatos plataforma. Nos olhos, enormes cílios postiços em cima e embaixo. Dentro de uma malinha de viagem, um cãozinho da raça shiba inu, que ela escondeu rapidamente sob a mesa. Pela camaradagem com os garçons, ficou claro que ela conhecia o lugar desde garota. Além disso, já esteve do outro lado do balcão, trabalhando como atendente em outros restaurantes. “Eu era boa nisso. Contava histórias para todo mundo e vivia de salto alto. Afinal, é quase como uma performance. Ganhava altas gorjetas”, lembra.

Nascida Stefani Joanne Angelina Germanotta, em 1986, Lady Gaga sempre quis ser artista. Seu pai dirige seu próprio negócio vendendo wi-fi para hotéis. Sua mãe também trabalhava, em telecomunicações. Ganhavam bem o suficiente para pagar o Sagrado Coração de Jesus (onde havia gente do naipe de Caroline Kennedy e Nicky Hilton, irmã de Paris Hilton). Não eram ricos, mas viviam bem pelo padrão de Nova York. Aos 17 anos, Stefani foi aceita pela Tisch School of the Arts, da prestigiada Universidade de Nova York, mas caiu fora depois de um ano. Por alguns meses, seu
pai a ajudou, pagando um aluguel também no Lower East Side, mas parou assim que ela conseguiu um trabalho e se virou sozinha.

Gaga trabalhou um tempo como go-go girl, mas foi fazendo shows de hard rock com uma banda e números de teclado num clube local que ela começou a andar com artistas e conheceu o produtor Rob Fusari (do Destiny’s Child), que lhe deu o nome de Gaga porque ela lembrava a canção do Queen Radio Ga Ga. O nome deu sorte e logo ela começou a adicionar elementos burlescos a seu show (como acender o G de seu nome com fogo) até que o produtor Vincent Herber, que tinha trabalhado com Stevie Wonder, viu um vídeo dela, voou para Los Angeles e, em 24 horas, fez com que ela assinasse um contrato. O resto, o ranking da revista Billboard explica.

Uma das coisas mais fascinantes sobre Lady Gaga é a maneira como ela está determinada a dominar as forças da mídia que parecem comer jovens talentos no breakfast e cuspi-los antes da hora do almoço. Chamar seu álbum de The Fame é uma atitude audaciosa. A fama, aliás, é um tema que ela revisita nos seus clipes e nas suas canções, sempre em performances malucas, que a mostram morrendo e ressuscitando do nada. “Sinto que, ao mostrar a minha morte artisticamente para o público, desmistifico um pouco da minha própria lenda”, explica a nova star pop. De um jeito bem louco e totalmente Lady Gaga

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